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dia internacional da mulher

Brasilienses, profissionais, mulheres

No dia da mulher, a São Geraldo quer contar a história de algumas mulheres de Brasília. Mulheres que entraram em mercados de trabalho essencialmente masculinos. Mulheres que aprenderam com homens e que os ensinaram também. Mulheres que seguem o legado dos pais e aquelas que seguem também o coração. Mulheres que amam o que fazem. Mulheres que merecem ser homenageadas.

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Ângela Gomes, gesseira

Desde 1997, a gesseira Ângela Gomes tenta impor pelo respeito e pela confiança seu espaço nas obras em que trabalha: “Frente aos homens eu não imprimo a minha posição, eu mostro a minha posição. Então eu transmito a segurança que eu não sou concorrente, mas que eu sou uma parceira.” Filha de gesseiro, ela aprendeu com o pai a profissão e por ele começou a se dedicar à vocação. Apesar de ajudá-lo desde cedo na parte burocrática do negócio, passou a trabalhar em obra quando ele adoeceu. E não parou mais. Além de gesso, ela faz reformas, mas é como gesseira que se especializou e conquistou mercado.

“As pessoas morrem de rir quando me ligam e falam que querem falar com o gesseiro e eu respondo que eu sou o gesseiro”, diz. No dia a dia são muitas as histórias de situações inusitadas por ser mulher. Ao tentar não focar nas dificuldades, ela explica que sua intenção é criar um ambiente em que ser profissional é mais importante do que gênero. Já trabalhou com mulheres e homens, mas faz questão de convidar mais mulheres para a profissão: “Muitas meninas não querem fazer essa atividade porque exige estar em forma. Você tem que ter força física. Mas a moça que quiser, seja bem-vinda, o campo está aqui para a gente”, diz.

Em última análise, ela explica que a maior alegria da profissão é ver o trabalho final e a satisfação do cliente. “Porque a satisfação dele é minha satisfação em dobro. Primeiro porque ele ficou feliz e me paga bem por isso. E segundo porque eu vejo que eu não sou simplesmente uma profissional para um serviço. Há uma parceria. Tem cliente que está comigo há mais de 12 anos”, conta orgulhosa.

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Inalda Dourado, engenheira

Engenheira civil há 36 anos, Inalda Dourado sempre soube a carreira que gostaria de seguir. Talvez por causa do que ela chama de um espírito construtor. “Eu gosto muito da transformação. E a Engenharia permite isso. Você pode começar do zero e construir alguma coisa. Ou pegar algo que está ruim e transformar em alguma coisa melhor. Isso me agrada muito”, explica.

Se o caminho para o sucesso profissional teve desafios, ela os encarou de frente e não se arrepende das escolhas feitas. Mesmo que, como descreve, ela tenha que se provar duas vezes mais do que um homem na mesma posição. “Todos os dias até hoje eu sinto isso. Não mudou muito, eu achei, da época que me formei até hoje”, diz. Apesar de ter aprendido a lidar de forma positiva com a situação, ela espera que as novas engenheiras sejam poupadas dessa dificuldade extra.

Em contraste às dificuldades está o amor pela profissão, inclusive seus aspectos desafiadores.

“É uma profissão linda. Não me arrependo hora nenhuma da minha escolha. Eu faria tudo de novo e passaria por tudo”, conta. Afinal, segundo ela, ser engenheira exige coragem. Sendo assim, é melhor ir com tudo e aproveitar cada momento. Para ela, o grande valor da Engenharia é o fato de realizar o sonho de uma pessoa: “E se você botar carinho para realizar esse sonho, fica com certeza muito melhor”.

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Julia Zardo, arquiteta

“Como mulher, a gente humaniza o que faz, coloca muita garra e consegue fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo. Não tem um projeto que eu faça com o que eu não esteja totalmente envolvida”, explica Julia Zardo. Arquiteta formada há três anos, ela esteve envolvida nesse universo a vida inteira.

Filha de arquiteto, Julia se lembra de sonhar em seguir a carreira desde muito nova. Ela fala com carinho sobre os desenhos com lápis de cor quando visitava o escritório do pai e brincava de ser arquiteta. Foi em busca desse sonho que ela estudou muito e buscou experiências internacionais para expandir ainda mais sua visão sobre a Arquitetura. Para ela, esse mundo é um mundo lúdico, em que cada experiência agrega aspectos novos a todo projeto desenvolvido. “A Arquitetura te dá a possibilidade de criar, de mudar a vida das pessoas e de transformar como elas veem as coisas”, sintetiza.

Uma das dicas que Julia oferece para quem quer se destacar na área é estar sempre aberto a aprender com cada experiência. O olhar do arquiteto deve se manter sempre um olhar curioso, pronto para trocar informação com aqueles à sua volta.