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Arquitetura e design em um único espaço



São Paulo abriga museu reconhecido nacional e internacionalmente pela sua vocação para essas duas áreas do conhecimento.

Por Diana Leiko

São Paulo, maior metrópole da América do Sul – é reconhecida por ser centro cultural e da vanguarda brasileira. Ela oferece atrações culturais como nenhuma cidade do Brasil e é nesse contexto que se encaixa o Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e primeiro museu do país especializado em arquitetura e design.

 Ao longo de mais de quatro décadas de existência, o museu tornou-se referência nacional e internacional nessas áreas por promover programas como o Prêmio Design MCB, concurso criado há 30 anos com o objetivo de incentivar a produção brasileira no segmento, e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a diversidade de morar do brasileiro.

 Gratuito aos domingos e feriados, o museu sempre oferece ao público exposições temporárias, que se extendem até o jardim.

História do Museu da Casa Brasileira - O MCB foi criado em 1970, como Museu do Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro, membro da rede de museus do Governo do Estado, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. Em 1972, ganhou sua sede definitiva, uma mansão neoclássica construída entre 1942 e 1945, originalmente para abrigar o ex-prefeito de São Paulo (1934-1938) Fábio da Silva Prado e sua esposa Renata Crespi Prado. O projeto arquitetônico, desenhado por Wladimir Alves de Souza, remete às linhas do Palácio Imperial de Petrópolis (RJ). Sua construção integra a expansão urbana da primeira metade do século 20 em São Paulo, quando a elite da cidade deixou o centro para viver nos subúrbios perto do rio Pinheiros.

O casal morou na residência por 18 anos e a transformou em ponto de grandes recepções oficiais. Após a morte de Fábio Prado, que não deixou herdeiros, Renata Crespi se mudou da casa, e, em 1968, doou o imóvel para a Fundação Padre Anchieta. Por sua vez, a Fundação cedeu o prédio em comodato à Secretaria de Estado da Cultura. Para mais informações, acesse: http://www.mcb.org.br.

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O MCB é especializado em design e arquitetura. Fica em uma mansão da década de 40 e tem um jardim de mais de 6 mil metros quadrados. Do lado de dentro, expõe sua coleção permanente de exemplares do mobiliário dos séculos XVII ao XXI. Na agenda cultural, promove mostras temporárias, debates, palestras, cursos e oficinas ligados à área. A cada 15 dias, às quartas-feiras, o Museu da Casa Brasileira fica aberto para visitação noturna gratuita. Nessas datas, os interessados podem conferir o acervo da instituição e as exposições até as 21h.

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Poltrona Mole
1957, Curitiba, PR
Design: Sergio Rodrigues (1927)
Produção e doação: Lin Brasil, Curitiba, PR
Crédito: Gal Oppido

Considerada pelo crítico Clement Meadmore “um dos 30 melhores assentos do século 20”, a Poltrona Mole combina a robustez e o conforto, o convite ao relaxamento e o idioma moderno. Seu projeto atende a uma busca deliberada, por parte do designer, de linguagem efetivamente brasileira, qualidade que a levou a conquistar o primeiro lugar no Concurso Internacional do Móvel, em Cantù, Itália, em 1961.

 

 

 

Poltrona Dizmuseu-da-casa-brasileira-sao-paulo-saogeraldo-blog-poltrona-diz-sergio-rodrigues

2003, Curitiba, PR
Design: Sergio Rodrigues (1927)
Produção e doação: Lin Brasil
Crédito: Gal Oppido
Graças à sua dupla curvatura, esta poltrona consegue ser incrivelmente confortável sem possuir um único estofado, só madeira maciça nos braços e na estrutura, em peças unidas entre si por meio de cavilhas, e em compensado moldado no assento e encosto. Apesar das novas tecnologias e do design contemporâneo, ao observar o tratamento de curvas e retas da estrutura fica clara sua genealogia na poltrona Mole.

 

 

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Namoradeira Tapirapá

2002, Trancoso, BA
Design e doação: Hugo França (1954)
Crédito: Gal Oppido
Hugo França aprendeu com os índios Pataxó, no sul da Bahia, a usar o pequi (Caryocar brasiliense), aproveitando velhas árvores caídas na mata ou restos de canoas abandonadas. Ele esculpe cada móvel diretamente nas toras, criando peças únicas, nunca repetíveis, ou “móveis-escultura”, como esta namoradeira.

 

 

 

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Banco Bandeirante

Século 19
Doação: Alfredo Mesquita
Crédito: Gal Oppido
Entalhado em madeira maciça, este banco em X apresenta inteligente sistema estrutural sem qualquer emenda aparente, denotando leveza, flexibilidade e resistência. O nome vem de suas qualidades ideais para uso em viagens de longas distâncias, como faziam os bandeirantes.

 

 

 

 

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Cama patente

c. 1915, Araraquara, SP
Design e produção: Celso Martinez Carrera (1883-1955)
Crédito: Gal Oppido
Esta cama teve seu projeto patenteado por seu criador e fabricante, precursor da produção moveleira seriada no país. Com custo moderado, tornou-se acessível a amplas camadas da população, ganhando o mercado dos móveis feitos sob encomenda. Usa madeira caviúna roliça e estrado de malha metálica com molas tensionadas. O design mostra influências dos móveis Thonet, da Áustria.

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